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Direito
dos Animais
O
que você quer dizer com “direitos dos animais”?
As pessoas que são partidárias dos
direitos dos animais acreditam que, assim como os
homens, os animais têm direito, basicamente,
à vida, à integridade
física, a manter um comportamento e peculiaridades
típicos de sua espécie e, no caso dos animais
silvestres, a um habitat natural preservado.
Por isso, os animais não devem ser maltratados,
abusados ou sacrificados, não devem ser comercializados,
não devem servir como alimento, como vestuário, como
entretenimento (em circos, rinhas, rodeios, touradas ou
farras do boi) ou como cobaias em testes abusivos,
dolorosos e desnecessários. No Brasil, alguns destes
direitos dos animais já estão expressos em leis. Veja
aqui a
Lei de Crimes Ambientais e o
Decreto Lei nº 24.645
Qual
a diferença entre “direitos dos animais” e “bem-estar
dos animais”?
As
teorias de “bem-estar” admitem que os animais têm
direitos, mas permitem que estes direitos sejam
transgredidos em benefício dos humanos, sob determinadas
condições. Seria o caso, por exemplo, do chamado abate
“humanitário” dos bois, porcos e frangos em grandes
matadouros. Já as teorias de “direito animal” pregam que
os animais, assim como os humanos, não devem ter seus
direitos ignorados para o benefício dos homens. No
entanto, os direitos dos animais não são absolutos e,
assim como os direitos dos humanos, podem ter seu escopo
limitado ou gerar conflitos de opiniões ou
contradições.
Existe diferença entre “protetor” de animais e “defensor
dos direitos dos animais”?
A
PEA entende que a expressão “defesa dos direitos dos
animais” seja mais abrangente do que “proteção dos
animais”. Ao usar o termo “defesa dos direitos dos
animais”, pressupomos que todos os animais, sem exceção,
são seres vivos que detêm determinados direitos. Muitas
espécies podem, inclusive, levar vidas livres da
interferência do ser humano, de forma totalmente
independente. Ao ignorar estes direitos, o ser humano
está em uma posição ética questionável. Já a proteção
animal, na prática, tem se concentrado basicamente a
proteger animais de abandono e maus-tratos,
principalmente cães e gatos, porque o sofrimento destas
espécies é mais visível em ambientes urbanos. Ser
considerado um “protetor” não significa que você não é
um defensor dos direitos dos animais, desde que respeite
estes direitos.
Os
animais têm os mesmos direitos que os homens?
Os
direitos dos animais não são iguais aos direitos dos
homens porque os interesses dos animais são diferentes
dos interesses dos homens. Por exemplo, um animal não
tem interesse em votar nas próximas eleições, portanto
este não é um direito dos animais, mas é um direito de
seres humanos que vivem em países democráticos.
Existem, no entanto, alguns interesses em comum. Assim
como os homens, os animais não têm interesse em que
alguém cause-lhes dor e sofrimento de forma
desnecessária e propositadamente. Os humanos estariam,
então, obrigados a respeitar este direito dos animais,
deixando de infringir-lhes dor e sofrimento.
Os animais não são racionais, não entendem seus
direitos e muitas vezes não respeitam os direitos dos
homens, então porque eu deveria respeitar os direitos
dos animais?
Uma
criança, mesmo que não entenda o conceito de “direitos
humanos”, tem uma série de direitos que devem ser
respeitados. Da mesma forma, a incapacidade dos animais
de entenderem seus seus direitos não deve ser usada como
pretexto para que estes mesmos direitos sejam
desrespeitados. Assim como as crianças, os animais não
são, muitas vezes, capazes de julgar ou mudar seu
comportamento, mas os humanos adultos são capazes de
refletir, julgar e mudar os comportamentos e hábitos que
causam dor e sofrimento a outros seres. Um ser humano
adulto também é capaz de escolher como agir. Quando é
possível escolher, o bom senso diz que é necessário
evitar causar dor e sofrimento.
Não
tenho nada contra você acreditar em direitos dos
animais, mas por que você tenta impor esta crença a
outros?
Os
defensores dos direitos dos animais não querem “impor” o
que acreditam, mas sempre que possível tentam levar
informação sobre os direitos dos animais a outras
pessoas. Isso é um direito humano, o direito de livre
expressão. Você também tem o direito de expressar
livremente suas opiniões. No entanto, liberdade de
pensamento não equivale a liberdade de ação. Você é
livre para acreditar no que quiser, desde que não
desrespeite o direito inato ou adquirido dos outros.
Você pode acreditar, por exemplo, que a escravidão
deveria ser legalizada no Brasil , mas não é livre para
sair seqüestrando e aprisionando pessoas para obrigá-las
a trabalhar por você.
Você
perde seu tempo se preocupando com animais quando
pessoas passam fome, crianças são abandonadas nas ruas e
idosos não têm atendimento médico adequado. Por que você
não faz melhor uso de seu tempo e defende os direitos
destas pessoas?
Em
primeiro lugar, quem respeita e defende o direito dos
animais costuma ser uma pessoa ética, portanto respeita
e defende igualmente o direito dos humanos. Quem não
vira as costas para as necessidades de um animal também
não costuma virar as costas para as necessidades de um
ser humano. Na medida de nossas possibilidades, devemos
aliviar o sofrimento de qualquer ser vivo. No Brasil, há
milhares de ativistas que, por escolha pessoal, se
vincularam a uma causa e trabalham voluntariamente por
ela, contribuindo para mudar uma triste realidade que,
para elas, é comovente, incômoda ou injusta. No nosso
caso, resolvemos ser ativistas voluntários para a causa
dos direitos dos animais.
Eu
prefiro me preocupar com crianças, não defendo animais.
Não estamos pedindo que você nos
acompanhe e seja um ativista dos direitos dos animais,
embora fosse bom contar com você do nosso lado. Para
nós, basta que você respeite os direitos dos animais
como respeita os direitos de um ser humano. No entanto,
se quiser ser ativista da PEA,
clique
aqui. De
qualquer forma, encorajamos você a abandonar a
passividade e defender a causa que mais fala ao seu
coração. Você pode se filiar a milhares de entidades no
Brasil que defendem o direito dos miseráveis, das
crianças, dos idosos ou dos animais. Veja como neste
site
www.voluntariado.org.br.
Se
você defende o direito dos animais, deveria também
defender o direito das plantas.
Do
ponto de vista fisiológico, as plantas são completamente
diferentes dos animais. Mesmo assim, isso não nos dá o
direito de exterminá-las. A existência das plantas é
fundamental para o equilíbrio ecológico do planeta e, em
última análise, também garante a sobrevivência das
demais espécies. Portanto, quem defende o direito dos
animais também costuma ter preocupação com a
biodiversidade e com o meio ambiente.
Mas
você é contra o uso de animais como alimento, portanto
também deveria ser contra o uso de plantas como
alimento.
Plantas são desprovidas de sistema nervoso central, de
terminações nervosas e de cérebros. Portanto, não há
evidências científicas de que as plantas experimentem
emoções ou sensações. Plantas não sentem dor ao serem
colhidas, mas animais sentem dor ao serem mortos. As
espécies vegetais que servem como alimento são
replantadas a cada novo ciclo agrícola e não correm
risco de extinção. Além disso, muitos vegetais e frutos
podem ser colhidos sem causar a morte da planta que lhes
deu origem. O vegetarianismo, além de contribuir para a
saúde do ser humano, é uma forma de alimentação que é
mais adequada à preservação do meio ambiente.
A indústria da carne é um dos principais responsáveis pelo
consumo e contaminação das águas. No
Brasil, a abertura de pastos para a pecuária é uma das
razões do desmatamento da Mata Atlântica, do Cerrado e
da Floresta Amazônica.
A
pecuária também não contribui para a erradicação da fome
no mundo. Para a produção de um quilo de carne, são
necessários no mínimo sete quilos de grãos que serviram
como alimento do gado. Estes sete quilos poderiam ter
sido destinados diretamente pela população faminta.
Veja mais em
Vegetarianismo.
É
quase impossível evitar todos os produtos que sejam
derivados de animais ou que contenham componentes
animais. Se causamos o sofrimento aos animais mesmo sem
perceber isso, qual é o sentido de continuarmos
defendendo-os?
É
quase impossível viver sem causar algum dano a outra
espécie ou a seres de nossa própria espécie. A nossa
simples existência pressupõe que teremos alguma
interferência no ambiente em que vivemos. No entanto,
isso não significa que devemos causar intencionalmente
danos aos outros. Por exemplo: pode acontecer de,
infelizmente, você atingir outra pessoa com o seu carro.
Isso não significa que você tenha razão em atropelar os
outros de propósito.
E
quanto às baratas, pernilongos, formigas, lagartixas,
pulgas e ratos que infestam nossas casas? Deveremos
deixá-los viver e causar mal a nossas famílias?
Na
medida do possível, devemos evitar o sofrimento das
outras espécies. Os seres humanos dispõem de meios para
evitar a infestação de baratas, pernilongos, pulgas,
formigas, lagartixas e ratos. É possível, por exemplo,
colocar telas nas janelas para evitar a entrada de
pernilongos e mosquitos. Formigas são atraídas por
alimentos em exposição, portanto guardar os alimentos na
geladeira já é uma forma de evitar a proliferação de
formigas. De qualquer forma, não há evidências de que
formigas sejam transmissoras de doenças para humanos,
por isso é possível ter tolerância para com elas. Da
mesma forma, as lagartixas não fazem mal aos humanos e
ainda evitam a proliferação de insetos em sua casa, por
se alimentarem deles. Um ambiente limpo e organizado,
livre de restos de alimentos, papel e entulho, também
costuma ser pouco atraente para baratas e ratos. Porém,
se estas medidas inócuas não surtirem efeito e a saúde
de sua família estiver ameaçada, há motivos para que
você tome providências mais efetivas no combate à
infestações. É uma questão de bom senso. Se você
estivesse na selva e fosse atacado por um leão, ficaria
à espera do ataque ou subiria em uma árvore? Se tivesse
uma arma em suas mãos, miraria no coração ou tentaria
atirar para o ar primeiro para ver se conseguiria
espantar o animal?
Muitas pessoas ganham seu sustento em atividades
econômicas que exploram os animais, como a pecuária ou
indústrias que utilizam derivados de animais. Estas
pessoas podem perder o emprego se os direitos dos
animais prevalecerem. Como você enxerga esta questão?
Historicamente, quando uma atividade econômica entra em
colapso, é substituída por outra que cria novos
empregos. As pessoas são treinadas para exercerem novas
funções, aprendem novas habilidades. Quando o
automóvel foi inventado, por exemplo, os cocheiros
perderam o emprego. No entanto, foram abertos novos
postos de trabalho para motoristas de automóveis, de
caminhões ou de ônibus. Nos Estados Unidos, muitos
empregos foram criados na indústria bélica durante a
Segunda Guerra Mundial. Vencido o conflito, estes postos
de trabalho foram fechados e as pessoas foram
aproveitadas em outras funções. Há poucos anos, com a
disseminação do uso do computador, vários atividades
deixaram de ter sentido econômico. No entanto, não houve
crise de emprego motivada pela adesão ao uso de
computadores. Pelo contrário, foram criados vários
empregos na indústria de tecnologia de informação.
Algumas manifestações, como a tourada, fazem parte do
patrimônio cultural de um povo. Não é errado acabar com
uma tradição?
A
evolução dos costumes faz parte da trajetória humana. Em
algumas antigas sociedades, era social e culturalmente
aceito o sacrifício de seres humanos. Da mesma forma, a
mutilação dos órgãos sexuais femininos é social e
culturalmente aceita, ainda hoje, em alguns países
africanos. Para muitas pessoas, estas práticas causam
repulsa. O sacrifício de humanos, por exemplo, foi
abandonado pelas sociedades modernas. A mutilação das
mulheres africanas causa assombro e é repudiada em
diversos países. O fato de uma prática ser tradicional,
fazer parte da cultura de um povo, não significa que não
seja bárbara. A cultura é um bem maior e não deveria ser
manchada de sangue de seres humanos ou de animais
Não
é verdade que os ativistas dos direitos dos animais são
radicais que cometem atos terroristas?
O
movimento de defesa dos direitos dos animais é, por
natureza, pacífico e sem violência. A principal crença
dos ativistas dos direitos dos animais é que não se deve
ferir qualquer animal- humano ou de outras espécies. No
entanto, existem algumas facções minoritárias que agem
em outros países e que acreditam no uso ilegal da força.
Suas ações visam causar danos à propriedades
(laboratórios que usam animais como cobaias, por
exemplo) e, por isso, costumam ganhar manchetes nos
jornais, contribuindo para criar uma imagem negativa dos
ativistas dos direitos dos animais. A PEA não acredita
ou apóia o uso ilegal da força. A PEA acredita na
disseminação da informação e na conscientização dos
seres humanos como principais formas de implementar os
direitos dos animais. Muitos ativistas dos direitos dos
animais, no entanto, são chamados de “radicais”
simplesmente por defenderem suas opiniões com veemência.
Historicamente, pessoas que contrariaram os interesses
econômicos ou sociais vigentes em um determinado período
são chamadas de radicais. No século 19, brasileiros que
defendiam a abolição da escravidão eram chamados de
radicais.
Muitos animais usados como alimento, como vestimenta ou
em experimentos são criados para este fim.
Por que seria errado usá-los?
Ser
criado para um determinado propósito não altera a
capacidade biológica dos animais de sentir dor ou medo.
Se
explorar animais é algo reprovável, por que a Bíblia
sugere que os seres humanos tenham domínio sobre os
animais?
Domínio não é a mesma coisa que tirania. Se o ser humano
tem o domínio sobre os animais, certamente deveria ser
para defendê-los e protegê-los. Não há nada na Bíblia
que justifique a destruição do meio ambiente, o
extermínio de diversas espécies de animais silvestres ou
o tormento e morte, pela mão do homem, de bilhões de
animais todos os dias. Todas as religiões incentivam a
reverência pela vida e pelas criaturas de Deus.
Os
animais não são inferiores aos homens? Nós não somos
mais inteligentes ou evoluídos? Por que então não
podemos usá-los?
Os
animais não são inferiores aos homens, são diferentes. A
inteligência deles está presente na medida das suas
necessidades e serve ao propósito de sua sobrevivência,
assim como a nossa. Várias pesquisas já demonstraram que
alguns animais (como os elefantes ou os golfinhos)
possuem até mesmo uma linguagem e exibem comportamentos
altamente complexos. Outros animais são capazes de
aprender a linguagem de sinais para deficientes
auditivos e rudimentos da linguagem humana. Entre
humanos, o fato de uma pessoa ser mais inteligente não
lhe dá o direito de abusar de outra pessoa menos
inteligente. Por que poderíamos, então, abusar de outros
animais simplesmente por não expressarem sua
inteligência da mesma forma que nós?
Se a
exploração econômica de animais fosse errada, não seria
ilegal?
A
escravidão era legal no Brasil até o século 19. Até
alguns anos atrás, a lei justificava o assassinato de
mulheres por seus maridos, como “crime de honra”. Por
conta deste dispositivo legal, homens que matassem suas
esposas ou companheiras poderiam sair livres da cadeia.
Legalidade não é garantia de moralidade. A lei não é
absoluta ou imutável. É alterada conforme muda a opinião
pública ou os interesses econômicos, sociais e políticos
de um país.
Leituras recomendadas:
Libertação Animal – Peter Singer
Vida
Ética- Peter Singer
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