|
Relato de uma Vaquejada
O Relato
Vídeo
Fotos
O Relato
Chegamos por volta das 20:40h. Nas
estrada já havia placas indicando onde seria a
vaquejada. Chegando no local, havia uma fila de carros
para entrar no Parque da Vaquejada. A entrada era
franca, só pagamos o estacionamento que ficou em R$
10,00.
Logo que entramos no “parque” já
demos de cara com algumas carretas repletas de bezerros
e bois. Havia charretes e cavalos soltos. A maioria das
pessoas eram do sexo masculino. As poucas mulheres que
haviam por lá ou trabalhavam nas barracas que vendiam,
em sua maioria, bebidas alcoólicas e churrasco, ou
estavam acompanhadas.
Chegamos perto do brete. Diversos
animais misturados e com aparência assustada. Um
vaqueiro começou a “tocá-los com um pedaço de
pau” para a fila que daria acesso para a arena. O espaço
apertado permitia apenas um boi por vez. Ali os animais
eram avaliados. Quando tinham chifres, seus chifres eram
serrados com serrote. Muitos chifres sangravam. O que
chamou a atenção foi a agressividade com que os
vaqueiros amarravam esses animais para poder serrar a
ponta de seus chifres. Alguns se debatiam, caiam no chão.
Outros tentavam pular a porteira que dava acesso à
arena e quando isso ocorria os vaqueiros batiam com pedaços
de pau em suas cabeças. Mais de 15 animais passaram por
esse procedimento. Houve situações em que os animais
tiveram suas patas presas entre as madeiras do corredor
da arena e por pouco não tiveram suas patas quebradas.
Quando a porteira era aberta os animais
saiam em disparada batendo suas patas, cabeça, peito na
porteira, pois ela era muito estreita. Houve casos em
que os vaqueiros fecham a porteira na cara dos animais
ou no meio do corpo e sempre com muita agressividade.
Não havia fiscais nem veterinários
presentes no local.
Investigando o evento descobrimos que
muitos animais já morreram na arena ao bater a cabeça
nas madeiras. Outros tiveram seus rabos arrancados
durante a prova, pois os vaqueiros estavam utilizando
uma luva não adequada. A prática de serrar os chifres
é super comum. Muitas vezes usam os mesmos animais por
mais de uma vez durante a prova.
Crianças de 8 à 12 anos tinham acesso
fácil ás bebidas alcoólicas. Não havia água a
venda, apenas caldo de cana e refrigerante. O resto era
tudo álcool. Essas mesmas crianças presenciavam o
corte do chifre e o tratamento agressivo que os
vaqueiros davam os animais. Um mau exemplo que poderá
influenciar no crescimento mental dessas crianças.
Durante a prova, 2 vaqueiros, cada um
em um cavalo, corre atrás do bezerro que é puxado pelo
rabo e derrubado na arena. Apenas nesse dia o ganhador
levaria para casa R$ 3.000,00, uma vez que essa prática
ocorre todos os domingos e a recompensa de cada vaqueiro
é o boi que é derrubado.
Saímos de lá por volta das 24:30h. Os
bezerros que já haviam participado da prova ficavam em
outro local atordoados e assustados. Naquele dia nosso
trabalho havia acabado. O que tínhamos que ver vimos e
conosco trouxemos a prova do abuso que esses animais
sofrem. 4 pontas de chifres, fotos e vídeos.
Felizmente essa "festa" não
acorreu mais. Estávamos prontos para barrar legalmente
essa crueldade! Estamos aguardando o laudo veterinário
dos cortes dos chifres, para comprovar juridicamente que
essa atitude cruel e covarde, é mais uma dentre outras,
que ocorre durante as vaquejadas e rodeios!
Gabriela Toledo
Carlos Rosolen
>voltar<
Vídeo - Fonte PEA
>voltar<
Fotos - Fonte PEA
>voltar< |