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Curiosidades


Textos sobre Cães - 01

 

O Diário de Um Cão

Como Você Pode?

Encontrei Seu Cão

Indiferença

Tributo a Um Cão

Salve-me

Testamento de Um Cão

O Cachorrinho Deficiente

Carta de Um Cão Abandonado

Carta de Um Cão ao Seu Dono

A Despedida de um Cão

Prece de Um Cão Abandonado

Um Cachorro Abandonado

O Apelo de um Cão

Não Era Um Anjo?

Você Me Ensinou

A Disciplina do Amor

Texto sobre Cães - 02

 

 

O Diário de Um Cão

1ª semana

Hoje faz uma semana que nasci. Que alegria ter chegado a esse mundo!!!

 

1 mês

Minha mamãe cuida muito bem de mim. É uma mãe exemplar.

 

2 meses

Hoje me separaram de mamãe. Ela estava muito inquieta e com seus olhos me disse adeus como esperando que minha nova "família humana" cuidasse bem de mim, como ela havia feito.

 

4 meses

Cresci muito rápido, tudo chama a minha atenção. Há várias crianças na casa que são como meus "irmãozinhos". Somos muito levados, eles me jogam uma bola e eu os mordo jogando.

 

5 meses

Hoje me castigaram, minha dona se zangou porque fiz "pipi" dentro da casa...mas nunca me disseram onde eu deveria fazer. E como eu durmo lá dentro eu não me agüentei!!!

 

6 meses

Sou um cão feliz. Tenho o calor de um lar, sinto-me seguro e protegido...Creio que minha família humana me ama muito. Quando estão comendo me convidam, o pátio é somente para mim e eu estou sempre cavando, como os meus antepassados lobos, quando escondiam a comida. Nunca me educam, seguramente porque nada faço de errado.

 

12 meses

Hoje completei um ano. Sou um cão adulto e meus donos dizem que cresci mais do que eles esperavam. Que orgulhosos devem estar de mim!!!

 

13 meses

Como me senti mal hoje. Meu "irmãozinho" tirou a minha bola. Como nunca pego seus brinquedos fui atrás dele e o mordi. Mas como meus dentes estão muito fortes, machuquei-o sem querer. Depois do susto me prenderam e quase não posso me mover para tomar um pouco de sol. Dizem que sou ingrato e que vão me deixar em observação (certamente não me vacinaram). Não entendo nada do que está acontecendo.

 

15 meses

Tudo mudou. Vivo preso no pátio, numa corrente. Me sinto muito só. Minha família já não me quer. Às vezes esquecem que tenho fome e sede e quando chove não tenho teto que me cubra.

 

16 meses

Hoje me tiraram da corrente. Pensei que tinham me perdoado e fiquei tão contente que dava saltos de alegria e meu rabo balançava. Parece que vou passear com eles. Subimos no carro e andamos um grande trecho quando pararam. Abriram a porta e eu desci correndo, feliz, crendo que era dia de passeio no campo. Não entendo porque fecharam a porta e se foram. "Esperem"!!! - lati..."esqueceram de mim...!!!". Corri atrás do carro com todas as minhas forças. Minha angústia aumentou ao perceber que o carro se afastava e eles não paravam. Tinham me abandonado.

 

17 meses

Procurei, em vão, achar o caminho de volta à casa. Sentei-me no caminho, estou perdido e algumas pessoas de bom coração que me olham com tristeza e me dão algo de comer. Eu agradeço com um olhar do fundo de minha alma. Quisera que me adotassem, eu seria leal como ninguém. Porém eles apenas dizem: "- pobre cãozinho, deve estar perdido".

 

18 meses

Outro dia passei por uma escola e vi muitas crianças e jovens como meus "irmãozinhos". Cheguei perto e um grupo deles, dando risadas, atirou-me uma chuva de pedras "para ver quem tinha melhor pontaria". Uma dessas pedras atingiu um dos meus olhos e desde então não enxergo com ele.

 

19 meses

Parece mentira mas quando eu estava mais bonito as pessoas se compadeciam mais comigo. Agora que estou muito fraco, com um aspecto bem mudado pois perdi meu olho, as pessoas me tratam a pontapés quando pretendo deitar-me à sombra.

 

20 meses

Quase não posso me mover. Hoje, ao atravessar a rua por onde passam os carros, um deles me atropelou. Pelo que sei, estava num lugar seguro chamado "sarjeta", mas nunca vou me esquecer do olhar de satisfação do motorista. Antes tivesse me matado, porém só me deslocou a cadeira. A dor é terrível, minhas patas traseiras não me respondem e com dificuldade me arrastei até uma moita fora da estrada. Já fazem 10 dias que estou em baixo de sol, chuva e frio, sem comer. Não posso me mover, a dor é insuportável. Sinto-me muito mal, estou num lugar úmido e parece que meu pêlo está caindo. Algumas pessoas passam e não me vêem. Outras dizem: "- não se aproxime". Já estou quase inconsciente, porém uma força estranha me fez abrir os olhos. A doçura de sua voz me fez reagir. "Pobre cãozinho, veja como te deixaram"- dizia. Junto a ela estava um senhor de roupa branca que começou a tocar-me e disse: "- Sinto muito senhora, mas esse cão já não tem remédio, o melhor é que deixe de sofrer". A gentil dama consentiu, com os olhos cheios de lágrimas. Como pude, mexi o rabo e olhei para ela agradecendo por me ajudar a descansar. Senti somente a picada da injeção e dormi para sempre, pensando em porque nasci, se ninguém me queria.

  

Autoria Desconhecida

 

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Como Você Pode?

Quando era um filhote, eu o distraia com minhas travessuras e o fazia rir.

 

Você me chamava de sua criança e, apesar de um certo número de sapatos mascados e um par de almofadas destruídas, eu me tornei sua melhor amiga.

 

Sempre que eu fazia algo errado, você chacoalhava seu dedo para mim e dizia: "Como você pôde" - mas depois você se arrependia e me rolava no chão para me coçar a barriga.

 

Meu treinamento demorou um pouco mais do que o esperado porque você estava ocupado demais, mas, juntos, nós conseguimos dar um jeito...

 

Eu me lembro daquelas noites em que me aninhava a você na cama e ouvia suas confidências e sonhos secretos - e acreditava que a vida não poderia ser mais perfeita.

 

A gente fazia longos passeios e corridas no parque, andava de carro, e parava para um sorvete (eu ganhava só a casquinha porque "sorvete não faz bem para cães" você dizia) e eu tirava longos cochilos ao sol enquanto aguardava sua volta para casa ao final do dia.

 

Aos poucos você passou a gastar mais tempo no trabalho e com sua carreira e levava mais tempo procurando por uma companheira humana.

 

Eu esperei por você pacientemente, confortei-o em suas mágoas e desilusões, nunca o repreendi por suas escolhas ruins, e vibrei de alegria nas suas vindas para casa e quando você se apaixonou...

 

Ela, agora sua esposa, não é uma "apreciadora de cães" - ainda assim eu a recebi em nossa casa, tentei mostrar-lhe afeição, e a obedeci. Sentia-me feliz porque você estava feliz.

 

Então vieram os bebês humanos e eu reparti com você o entusiasmo. Eu estava fascinada por seus tons rosados, seu cheiro, e queria muito cuidar deles também. Mas ela e você tinham medo de que eu pudesse machucá-los, e eu passei a maior parte do tempo sendo banida para outra sala, ou para a casinha de cachorro..

 

Oh, como eu queria tê-los amado, mas eu me tornei uma "prisioneira do amor."

 

À medida que foram crescendo, me tornei amiga deles. Eles se agarravam ao meu pêlo e se levantavam sobre perninhas trôpegas, enfiavam os dedos em meus olhos, examinavam minhas orelhas, e davam beijos em meu nariz. Eu adorava tudo isso, e o toque de suas mãozinhas - porque o seu toque agora era tão raro - e eu os teria defendido com minha própria vida, se fosse preciso.

 

Eu me esgueirava para suas camas e escutava suas inquietações e sonhos secretos, e juntos esperávamos pelo barulho de seu carro no caminho.

 

Houve um tempo, quando alguém perguntava se você tinha cachorro, em que você tirava uma foto minha de sua carteira e contava histórias sobre mim. Nos últimos anos você apenas respondia "sim" e mudava de assunto.

 

Eu passei de "seu cão" para "apenas um cachorro" e você reclamava de cada gasto que tinha comigo.

 

Agora você tem uma nova oportunidade de carreira em outra cidade , e vocês irão se mudar para um apartamento onde não permitem animais. Você tomou a decisão acertada para sua "família", mas houve um tempo em que eu era sua única família.

 

Fiquei excitada com o passeio de carro até que chegamos ao abrigo de animais. O local tinha cheiro de gatos e cães, de medo, de desesperança. Você preencheu a papelada e disse "Sei que vocês encontrarão um bom lar para ela"... Eles deram de ombros e lançaram a você um olhar compadecido. Eles compreendem a realidade que espera um cão de meia idade, mesmo um com "papéis".

 

Você teve que desgarrar os dedos de seu filho de minha coleira enquanto ele gritava "Não, papai! Por favor, não deixe que levem meu cão!". E eu me preocupei por ele, e com a lição que você tinha acabado de lhe dar sobre amizade e lealdade, sobre amor e responsabilidade, e sobre respeito por todo tipo de vida.

 

Você deu um afago de adeus em minha cabeça, evitou meu olhar e, polidamente, recusou levar minha coleira e guia com você. Você tinha um tempo-limite para encarar e agora eu também tenho um.

 

Depois que você partiu as duas simpáticas senhoras que o atenderam comentaram que você provavelmente soube meses atrás da mudança que ocorreria e não fez nenhuma tentativa de encontrar um novo lar para mim.

 

Elas sacudiram a cabeça e disseram "Como você pôde?".

 

Elas são tão atenciosas para nós aqui no abrigo quanto seus ocupados horários permitem. Elas nos alimentam, é claro, mas eu perdi meu apetite dias atrás. De início, sempre que alguém passava pelo meu alojamento, eu corria para a frente, na esperança de que fosse você - que você tivesse mudado de idéia - que isto fosse tudo um sonho mau.... ou eu esperava que ao menos fosse alguém que se importasse, alguém que pudesse me salvar.

 

Quando percebi que não poderia competir com os alegres filhotes, inconscientes de seus próprios destinos, nas brincadeiras para chamar atenção, afastei-me para um canto distante, e aguardei.

 

Ouvi seus passos quando ela veio até mim ao final do dia, e a segui ao longo do corredor para uma sala separada. Uma sala deliciosamente silenciosa. Ela me colocou sobre a mesa, acariciou minhas orelhas, e disse-me para eu não me preocupar. Meu coração se acelerou na expectativa do que estava para vir, mas havia também uma sensação de alívio. A prisioneira do amor havia esgotado seus dias.

 

Como é de minha natureza, estava mais preocupada com ela. O fardo que ela carrega é demasiado pesado, e eu sei disso, da mesma maneira que conhecia cada um de seus humores. Ela gentilmente colocou um torniquete em volta de minha perna dianteira, enquanto uma lágrima corria por sua face. Lambi sua mão do mesmo modo como costumava fazer para confortar você há tantos anos.

 

Ela habilmente espetou a agulha hipodérmica em minha veia. Quando senti a picada e o líquido frio se espalhou através de meu corpo, deitei a cabeça sonolenta, olhei dentro de seus olhos gentis e murmurei "Como você pôde?".

 

Talvez por ter entendido meu linguajar canino, ela disse "Sinto tanto!", abraçou-me e apressadamente explicou que era seu trabalho fazer com que eu fosse para um lugar melhor onde não seria ignorada, ou maltratada ou abandonada, nem ter que me virar para sobreviver - um lugar de amor e luz, tão diferente deste lugar terrestre.

 

E com minha última gota de energia tentei transmitir -lhe com uma sacudidela de minha cauda que meu "Como você pôde?" não era dirigido a ela.

 

Era em você, Meu Amado Dono, que eu estava pensando. Pensarei em você e esperarei por você eternamente.

 

Possa alguém em sua vida continuar a demonstrar-lhe tanta lealdade.

 

Autoria: Jim Willis

Tradução: Cida Lellis

 

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Encontrei Seu Cão

Hoje encontrei seu cão. Não, ele não foi adotado por ninguém. Aqui por perto, a maioria das pessoas já têm vários cães; aqueles que não têm nenhum não querem um cão. Eu sei que você esperava que ele encontrasse um bom lar quando o deixou aqui, mas ele não encontrou. Quando o vi pela primeira vez, ele estava bem longe da casa mais próxima e estava sozinho, com sede, magro e mancava por causa de um machucado na pata.

 

Eu queria tanto ser você naquele momento em que parei na frente dele. Para ver sua cauda abanando e seus olhos brilhando ao pular nos seus braços, pois ele sabia que você o encontraria, sabia que você não esqueceria dele. Para ver o perdão em seus olhos pelo sofrimento e pela dor por que ele havia passado em sua jornada sem fim à sua procura... Mas eu não era você. E, apesar das minhas tentativas de convencê-lo a se aproximar, seus olhos viam um estranho. Ele não confiava em mim. Ele não se aproximava.

 

Ele virou as costas e seguiu seu caminho, pois tinha certeza de que esse caminho o levaria a você. Ele não entende que você não está procurando por ele. Ele só sabe que você não está lá, sabe apenas que precisa te encontrar. Isso é mais importante do que comida, água ou o estranho que pode lhe dar essas coisas.

 

Percebi que seria inútil tentar persuadi-lo ou segui-lo. Eu nem sei seu nome. Fui para casa, enchi um balde d' água e uma vasilha de comida e voltei para o lugar onde o havia encontrado. Não havia nem sinal dele, mas deixei a água e a comida debaixo da árvore onde ele havia buscado abrigo do sol e um pouco de descanso. Veja bem, ele não é um cão selvagem. Ao domesticá-lo, você tirou dele o instinto de sobrevivência nas ruas. Ele só sabe que precisa caminhar o dia todo. Ele não sabe que o sol e o calor podem custar-lhe a vida. Ele só sabe que precisa encontrá-lo.

 

Aguardei na esperança de que voltasse para buscar abrigo sob a árvore, na esperança de que a água e a comida que havia trazido fizessem com que confiasse em mim e eu pudesse levá-lo para casa, cuidar do machucado da pata, dar-lhe um canto fresco para se deitar e ajudá-lo a entender que agora você não faria mais parte de sua vida. Ele não voltou aquela manhã e, quando a noite caiu, a água e a comida permaneciam intocadas. Fiquei preocupada. Você deve saber que poucas pessoas tentariam ajudar seu cão. Algumas o enxotariam, outras chamariam a carrocinha, que lhe daria o destino do qual você achou que o estava salvando - depois de dias de sofrimento sem água ou comida.

 

Voltei ao local antes do anoitecer. Não o encontrei. Na manhã seguinte, voltei e vi que a água e a comida permaneciam intactas. Ah, se você estivesse aqui para chamar seu nome! Sua voz é tão familiar para ele. Comecei a ir na direção que ele havia tomado ontem, sem muita esperança de encontrá-lo. Ele estava tão desesperado para te encontrar, que seria capaz de caminhar muitos quilômetros em 24 horas.

 

Algumas horas mais tarde, a uma boa distância do local onde eu o havia visto pela primeira vez, finalmente encontrei seu cão. A sede não o atormentava mais. Sua fome havia desaparecido e suas dores haviam passado. O machucado da pata não o incomodava mais. Agora seu cão está livre de todo esse sofrimento. Seu cão morreu.

 

Ajoelhei-me ao lado dele e amaldiçoei você por não estar aqui ontem para que eu pudesse ver o brilho, por um instante sequer, naqueles olhos vazios. Rezei, pedindo que sua jornada o tenha levado àquele lugar que acho que você esperava que ele encontrasse. Se você soubesse por quanta coisa ele passou para chegar lá... E eu sofro, pois sei que, se ele acordasse agora, e se eu fosse você, seus olhos brilhariam ao reconhecê-lo, ele abanaria sua cauda, perdoando-o por tê-lo abandonado.

 

Autoria Desconhecida

Tradução: Silvia D. Schiros

 

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Indiferença

Não passe tão indiferente
só porque eu não sou gente,
só porque não sei falar.
Também sou um ser vivente,
sinto as dores que você sente
mas não posso me expressar.

 

Sou um bicho abandonado,
pela vida maltratado,
quase sempre escorraçado,
até mesmo apedrejado!
Vivo sedento e faminto,
ninguém quer saber o que sinto!
Se fico doente e triste
vejo logo um dedo em riste.
E vem a sentença fatal:
-Melhor matar este animal!
-Ele deve estar raivoso!
Para sua comodidade
vive dizendo inverdade,
fazendo muita maldade,
seu mentiroso.

 

Mesmo que esteja raivoso,
já foi descoberta a vacina.
Mas para a sua raiva humana,
ainda não existe remédio,
nenhuma medicação,
com toda sua evolução, na história da medicina!

 

Você mata o próprio irmão,
faz guerras assalta,
mata com ou sem razão,
às vezes por ambição!
É bem pior que eu,
que chamam de vira-lata!

 

Olhe bem pro meu semblante:
-Estou triste, apavorado,
pois, a qualquer instante,
posso ser sacrificado!
Mas você não se importa
nem com o seu semelhante!
-Você sim, está doente,
egoísta, indiferente.
Mas se algo ruim lhe acontece
logo lembra que há Deus,
chora, reza e faz prece...

 

mas Deus só ajuda aquele
que de todos se compadece.
Lembre-se do que escreveu
São Francisco de Assis:
-Quem maltrata um animal
jamais poderá ser feliz!

 

Autoria Desconhecida

 

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Tributo a Um Cão

Senhores jurados, o cão permanece com seu dono na prosperidade e na pobreza, na saúde e na doença.

 

O mais altruísta dos amigos que um homem pode ter neste mundo egoísta, aquele que nunca o abandona, que nunca mostra ingratidão nem deslealdade, é o cão.

 

Senhores jurados, o cão permanece com seu dono na prosperidade ou na pobreza, na saúde e na doença.  

 

Ele dormirá no chão frio, onde os ventos invernais sopram e a neve se lança impetuosamente. Quando só ele estiver ao lado do seu dono, ele beijará a mão que não tem alimento para oferecer, ele lamberá as feridas e as dores que aparecem nos encontros com a violência do mundo.

 

Ele guarda o sono de seu pobre dono como se fosse um príncipe. Quando todos os amigos o abandonarem, o cão permanecerá. Quando a riqueza desaparece e a reputação se despedaça, ele é constante em seu amor como o Sol na sua jornada através do firmamento.

 

Se a fortuna arrasta o dono para o exílio, o desamparo e o desabrigo, o cão fiel pede o privilégio maior de acompanhá-lo para protegê-lo contra o perigo, para lutar contra seus inimigos.

 

E quando a última cena se apresenta, a morte o leva em seus braços e seu corpo é deixado na laje fria, não importa que todos os amigos sigam seu caminho: lá ao lado de sua sepultura se encontrara seu nobre cão, a cabeça entre as patas, os olhos tristes, mas em atenta observação, fé e confiança mesmo à morte.

 

  

“Este tributo foi apresentado ao júri pelo ex-senador americano George G. Vest (então advogado), que representou o proprietário de um cão morto a tiros, propositadamente, pelo seu vizinho. O fato ocorreu a um século na cidade de Warrensburg, Missouri, Estados Unidos. O senador ganhou o caso e hoje existe uma estátua do cão na cidade e seu discurso esta escrito na entrada do tribunal de justiça da cidade.”

 

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Salve-me

Salve-me não apenas com suas mãos, mas também com seu coração.
Eu responderei a você.

 

Salve-me não só por pena, mas por amor.
Eu vou amar você de volta.

 

Salve-me não com arrogância, mas com compaixão.
Eu aprenderei o que você ensina.

 

Salve-me não por causa do meu passado, mas por causa do meu futuro.
Eu vou ficar tranqüilo e contente.

 

Salve-me não simplesmente para me socorrer, mas para me dar uma nova vida.
Eu vou valorizar seu presente.

 

Salve-me não apenas com mão firme, mas com tolerância e paciência.
Eu vou agradar você.

 

Salve-me não apenas por causa de quem eu sou, mas tendo em vista quem eu vou me tornar.
Eu vou crescer e amadurecer.

 

Salve-me não para se tornar respeitado pelos outros, mas porque você me quer.
Eu nunca vou deixar você pra baixo.

Salve-me não com uma agenda escondida, mas com um desejo de me ensinar a confiar.
Eu vou ser leal e verdadeiro.

 

Salve-me não para ser acorrentado ou para brigar, mas para ser seu companheiro.
Eu ficarei a seu lado.

 

Salve-me não para substituir alguém que você perdeu, mas para confortar seu espírito.
Eu vou tratar você com carinho.

 

Salve-me não para ser seu animal de estimação, mas para ser seu amigo.
Eu lhe darei meu amor infinito.

 

Poema de Terri Onorato
(tradução livre para o português por Clarice Villac)

 

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Testamento de Um Cão

Minhas posses materiais são poucas e eu deixo tudo para você...

 

Uma coleira mastigada em uma das extremidades, faltando dois botões, uma desajeitada cama de cachorro e uma vasilha de água que se encontra rachada na borda.

 

Deixo para você a metade de uma bola de borracha, uma boneca rasgada que você vai encontrar debaixo da geladeira, um ratinho de borracha sem apito que está debaixo do fogão da cozinha e uma porção de ossos enterrados no canteiro de rosas e sob o assoalho da minha casinha.

 

Além disso, eu deixo para você a memória, que aliás são muitas.

 

Deixo para você a memória de dois enormes e meigos olhos, marrons, de uma caudinha curta e espetada, de um nariz molhado e de choradeira atrás da porta.

 

Deixo para você uma mancha no tapete da sala de estar junto à janela, quando nas tardes de inverno eu me apropriava daquele lugar, como se fosse meu, e me enrolava feito uma bolinha para pegar um pouco de sol.

 

Deixo para você um tapete esfarrapado em frente de sua cadeira preferida, o qual nunca foi consertado com o tipo de linha certo.... isso é verdade.  Eu o mastiguei todinho, quando ainda tinha cinco meses de idade, lembra-se?

 

Deixo para você um esconderijo que fiz no jardim debaixo dos arbustos perto da varanda da frente, onde eu encontrava asilo durante aqueles dias de verão.  Ele deve estar cheio de folhas agora e por isso talvez você tenha dificuldades em encontrá-lo. Sinto muito!

 

Deixo também só para você, o barulho que eu fazia ao sair correndo sobre as folhas de outono, quando passeávamos pelo bosque.

 

Deixo ainda, a lembrança de momentos pelas manhãs, quando saíamos junto pela margem do riacho, e você me dava aqueles biscoitos de baunilha.

 

Recordo-me das suas risadas, porque eu não consegui alcançar aquele coelho impertinente.

 

Deixo-lhe como herança minha devoção, minha simpatia, meu apoio quando as coisas não iam bem, meus latidos quando você levantava a voz aborrecido... e minha frustração por você ter ralhado comigo.

 

Eu nunca fui à igreja e nunca escutei um sermão. No entanto, mesmo sem haver falado sequer uma palavra em toda a minha vida, deixo para você o exemplo de paciência, amor e compreensão.

 

Sua vida tem sido mais alegre, porque eu estive ao seu lado!

  

Autoria Desconhecida

 

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O Cachorrinho Deficiente

Um menino pergunta o preço dos filhotes à venda. 

 

"Entre 30 e 50 dólares", respondeu o dono da loja. 

 

O menino puxou uns trocados do bolso e disse: "Eu só tenho 2,37 dólares, mas eu posso ver os filhotes?" 

 

O dono da loja sorriu e chamou Lady, que veio correndo, seguida de cinco bolinhas de pêlo. Um dos cachorrinhos vinha mais atrás, mancando de forma visível. Imediatamente o menino apontou aquele cachorrinho e perguntou: "O que é que há com ele?" 

 

O dono da loja explicou que o veterinário tinha examinado e descoberto que ele tinha um problema na junta do quadril, sempre mancaria e andaria devagar. 

 

O menino se animou e disse: "Esse é o cachorrinho que eu quero comprar!" 

 

O dono da loja respondeu: "Não, você não vai querer comprar esse. Se você realmente quiser ficar com ele, eu lhe dou de presente." 

 

O menino ficou transtornado e, olhando bem na cara do dono da loja, com o seu dedo apontado, disse: "Eu não quero que você o dê para mim. Aquele cachorrinho vale tanto quanto qualquer um dos outros e eu vou pagar tudo. Na verdade, eu lhe dou 2,37 dólares agora e 50 centavos por mês, até completar o preço total." 

 

O dono da loja contestou: "Você não pode querer realmente comprar este cachorrinho. Ele nunca vai poder correr, pular e brincar com você e com os outros cachorrinhos." 

 

Aí, o menino abaixou e puxou a perna esquerda da calça para cima, mostrando a sua perna com um aparelho para andar. Olhou bem para o dono da loja e respondeu: "Bom, eu também não corro muito bem e o cachorrinho vai precisar de alguém que entenda isso." 

 

"Muitas vezes desprezamos as pessoas com as quais convivemos diariamente, simplesmente por causa dos seus "defeitos", quando na verdade, somos tão iguais ou pior do que elas e sabemos que essas pessoas precisam apenas de alguém que as compreendam e as amem não pelo que elas podem fazer, mas pelo que são. 

 

Autoria Desconhecida

 

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Carta de Um Cão Abandonado

Meu querido amor,

 

Dentro de mim tem coisas que, por vezes, não se encontram em algumas pessoas. Quando você me pegou, pequenininho, e me tirou da minha mãe eu fiquei assustado e não entendi. Mas, de repente, comecei à sentir por você um amor tão forte e tão inexplicável!

 

Fui crescendo e cada vez mais desejando sua companhia. Esperava ansioso por você, nas vezes em que saia e explodia de felicidade com a sua chegada. Nunca precisei de mais nada além de sua presença; tamanho o amor que sinto por você!

 

De repente, algo aconteceu quando cresci! Você me pôs no carro (achei que fosse um dos nossos passeios tão maravilhosos que guardo na lembrança) e me levou para muito, muito longe de nossa casa. Abriu a porta do carro em um lugar deserto e estranho e me enxotou jogando pedras!!!

 

Fiquei sem entender! O que foi que eu fiz? Pensei... Pensei... e não descobri o quê te fiz. Foi então que aconteceu o mais assustador. Você ligou o carro e partiu acelerado! Corri muito pela estrada atrás de você! Até cair de exaustão. Meus pés e mãos muito feridos. Meu corpo cansado demais para continuar. Minha fome e sede começaram à ficar desesperadoras. MAS NADA IMPORTA! Tenho que te encontrar novamente!

 

Porque te amo demais e nunca te esqueço! Tenho dentro de mim uma coisa que poucos homens tem. Tenho dentro de mim um amor de verdade. Porque ainda amo você! E não vou descansar enquanto não te encontrar. Quem sabe te encontro quando morrer???

 

SEU CÃO ABANDONADO

  

Autoria Desconhecida

 

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Carta de Um Cão ao Seu Dono

Olá,

 

Eu sou aquele que sempre lhe espera. O seu carro tem um som especial, e eu posso reconhecê-lo entre mil. Os seus passos têm um timbre de magia, eles são música pra mim. A sua voz é o sinal maior do meu momento feliz e às vezes você nem precisa falar nada.

 

Quando sinto sua tristeza, eu tento te fazer sorrir. Se vejo que está alegre, como isso me faz feliz! Eu não sei o qual é o melhor aroma no ar. Só sei que o seu perfume é o melhor. De algumas presenças eu gosto, de outras não. Mas a sua presença é a que movimenta os meus sentidos.

 

O seu olhar é um raio de luz quando percebo o seu despertar. As suas mãos sobre mim têm a leveza da paz. E quando você sai, tudo é vazio outra vez. E eu volto a te esperar sempre e sempre. Até você chegar novamente.

 

Esperar pelo som do seu carro... Pelos seus passos... Pela sua voz... Pelo seu cheiro... Pelo seu repouso sob minha vigília à noite... Pelo seu olhar... Pelas suas mãos fazendo carinho em mim. Eu sou aquele que te espera... Eu sou seu cão! E sou feliz por ser assim!

 

Nunca lhe pedi para me deixar bonito, nem para me adestrar... Também não lhe peço bons alimentos ou me levar no veterinário, nem isso nem coisa alguma... Se não tiver uma correia bonita, pode me colocar num laço ou deixa-me solto... Prometo que não vou embora... Se não puderes me comprar uma casinha, me conformo com um trapinho no chão... Aonde quer que você me colocar, eu sempre vou te proteger.

 

Não me corte o rabinho, nem me afine as orelhas. Prometo que serei fiel quando tiver que te defender...  Se eu destruir algo, desculpa-me, é que não sei o que faço quando estou brincando com as suas coisas, não conheço o valor dos seus objetos e não estrago por má intenção... O que lhe peço é um carinho de vez em quando em mim, e um pedacinho de pão, o demais, me dê apenas se for de sua vontade.

 

Se eu soubesse falar, quantas palavras bonitas eu diria a você... Se você soubesse como fico feliz quando passeio contigo, mesmo que você não perceba, eu fico muito feliz!

 

E se já estou velho, e lhe dei meus melhores anos, não me deixe na rua... E, se lhe causei algum dano, com esta lágrima que vê brotar de meus olhos, peço-lhe perdão...

 

Sim, eu sou um animal, sou um cachorro criado por Deus, porém também os cachorros sentimos e temos coração... Chegará o dia, em que partirei dessa vida, e quero que saiba que lá no céu dos cães, eu sempre serei grato por tudo o que você fez por mim, e principalmente pelos anos que passamos juntos...

 

Com carinho,

Cãozinho.

   

Autoria Desconhecida

 

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A Despedida de um Cão

Neste momento só tenho que lhe agradecer... Agradecer por ter me acolhido, ter cuidado de mim a vida toda,  me proporcionado momentos felizes e inesquecíveis, me dado uma família, um lar digno, essas lembranças levarei comigo aonde eu estiver!! Obrigado pela infinita paciência você me ensinou a ser um cão obediente e esperto...obrigada por ter perdoado tantas estripulias, tantas destruições, fiz tantas coisas erradas em seu tapete (era mais forte do que eu aquele cheiro me atraía muito), destruí tantos sapatos novos, arranhei tanto seu carro na tentativa de subir no banco, os passeios de carro eram meus prediletos, mas o que mais te incomodava era os buracos que fazia no seu quintal, cavando cavando... hh aquele cheiro da terra, eu me divertia enterrando meus brinquedos! Você para mim sempre foi a pessoa mais importante, colocava meu alimento, me escovava, me dava água sempre fresquinha e me dava muito carinho....Eu contava as horas todos os dias esperando você chegar do trabalho para te receber com muitas lambidas...algumas vezes você não tinha tempo para mim, mas sempre compreendi a pessoa ocupada e a vida corrida que tinha....

 

Tantos passeios pelas manhãs de domingo, e como eu te arrastava de tanta ansiedade para ver os cães na rua, as vezes arranjava confusão e você me salvava com uma varinha, você dizia que eu não tinha tamanho para enfrentar aqueles cães fortes e robustos!! E os banhos de esguicho que você me dava, ah eu amava a água fresca escorrendo no meu pelo, e a melhor parte era de chacoalhar,  te molhava inteira, e você me dava bronca, só não gostava do xampu que ardia meu nariz e daquele perfume me fazia espirrar, espirrar....Você nunca me deixou faltar nada e cuidava de mim como um filho e uma pessoa da família!! Obrigada por tantos cuidados e preocupações, tantas idas ao veterinário, tudo bem que eu tinha medo daquele homem de branco e de cheiro estranho que todas vez me colocava naquela mesa fria, me dava agulhadas, fazia algumas coisas estranhas em mim, mas você sempre me dizia que era para o meu bem, então me sentia seguro...

 

Os anos se passaram, envelheci e hoje adoeci, sei que agora não tem volta e nem recuperação, sinto que estou partindo, minha respiração está fraca, minhas patas estão enfraquecidas, não consigo mais te enxergar como antes, só sinto que está por perto me acarinhando...infelizmente meu tempo de vida é muito mais curto que o seu e não poderei ser teu companheiro pela vida toda...O que mais me conforta é que depois de tantos anos de convivência transformei você em uma pessoa melhor, mais sensível e solidária. O mundo seria melhor se todas as pessoas tivessem um bichinho de estimação, descobririam o verdadeiro significado de amizade, fidelidade, pureza e seriam mais toleráveis!! 

 

Muitas pessoas não compreendem nossa missão aqui na terra, que é de transformar vocês humanos em pessoas melhores, muita gente não enxerga que somos seres puros e inocentes e nos encara de forma errada!! E é apenas isso que somos seres puros, inocentes e cheios de amor para dar...muitas vezes vocês humanos nos transformam em seres agressivos, indóceis e amargos como muito de vocês!! Já eu só tenho a agradecer a vida digna e feliz que me destes e lhe peço que nunca deixe meu espaço vazio, se puder o preencha com outro ser como eu, não para me substituir, mas para continuar minha missão de tornar você cada vez melhor e especial!!"

 

Obrigado!!!!

 

Autoria Dra. Mallize Gonçalves, Médica Veterinária, CRMV-SP 21.291

 

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Prece de Um Cão Abandonado

Sabe Senhor, ainda não entendi, viemos à praça, pensei ser um bom passeio, estranhei, ele não tinha esse hábito, mas eu fui feliz.

 

Lá chegando, me deu as costas, entrou no carro e nem disse adeus. Olhei para os lados, nem sabia o que fazer. Ainda tentei segui-lo, quase fui atropelado. Que teria feito eu de tão mau? À noite, quando ele chegava, abanava o rabo feliz, mesmo que ele nunca viesse ao quintal me ver.

 

Às vezes, eu latia, mas tinha estranhos no portão, não podia deixá-los entrar sem avisar meu dono. Quem sabe foi minha dona que mandou, devia estar lhe dando trabalho, mas não as crianças, elas me adoravam. Como sinto saudades! Puxavam minha cauda, às vezes eu ficava uma fera, mas logo éramos amigos novamente. Creio que elas nem sabem. Deve ter dito que fugi.

 

Estou tão faminto, só bebo água suja, meus pêlos caíram, quase todos. Nossa! Como estou magro!

 

Sabe Pai, aqui nesse canto que arrumei para passar a noite, faz muito frio, o chão está molhado. Creio que hoje, vou me encontrar contigo, aí no céu, meu sofrimento vai terminar, mesmo em espírito, vou ter permissão para ver as crianças.

 

Peço-vos, então, não mais por mim, mas pelos meus irmãozinhos:

 

"Senhor, mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão, pois como eu, sozinhos não viverão mais que alguns meses na terra do Homem.

 

Amenize-lhes o frio, igual ao que agora sinto, com o calor de atos de pessoas abençoadas.

 

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que foi me negado.

 

Mata-lhes a sede, com água pura de seus ensinamentos transmitidos ao homem.

 

Elimine a dor das doenças, extirpando a ignorância da terra.

 

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos apregoados como: religiosos, laboratórios, matadouros e tudo mais, tirando das mãos humanas o gosto pelo sangue.

 

Ampare as cachorrinhas prenhas que verão suas crias morrerem de fome, frio e pestes sem nada poderem fazer.

 

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados, pois entre todos os males. o que mais doeu foi esse.

 

Receba Pai, nesta noite gélida, a minha alma, pois não mais será meu sofrimento, mas dos que ficarem e por eles vos peço".

  

Autoria Desconhecida

 

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Um Cachorro Abandonado

Impossível escapar desse olhar infeliz, telepaticamente me disse que esperava a morte, e sem poder evitar, senti minha respiração falhar.

 

Estava encolhido na rua, encostado na parede protetora, sem ninguém, sem comida, sem coleira, sem laços, sem motivos, vivendo sem viver. Enchi uma vasilha de água, e a coloquei um pouco longe dele, ao final, humana desconfiada, tinha medo... Quase sem forças levantou-se, e com muita dificuldade conseguiu chegar até a água, bebeu e voltou ao seu lugar.

 

Mil vontades me invadiram, pegar ele no colo e levar para casa, passar a mão na sua cabeça, mas alguma coisa me deteve. Subi no meu carro, e olhando seus olhos tristes,fui embora, meus próprios olhos cheios de lágrimas, meu coração em pedaços... Sabia que o destino está nas nossas mãos, mas isso não era desculpa para abandoná-lo a sua sorte.

 

Compreendi, de repente, que me via espelhada nele, e chorei...eu também tinha me sentido abandonada,  querendo morrer, eu também tinha vivido sem querer viver, nos piores momentos da minha vida, somente eu e Deus, amigos, família, estavam longe de saber ou sentir ou me proteger de minha autodestruição.

 

O instinto de sobrevivência, meu amor próprio ou a voz de Deus dentro de mim, falou mais alto e aos poucos fui vislumbrando soluções, encontrando dentro de mim forças, vontades, desejos. Aquele cachorro era eu mesma, abandonada, ele devia achar sua força e querer viver. Senti que não tinha feito a minha parte, mas minha intuição falou que eu tinha ouvido esse coração em agonia, e ele sabia.

 

Fiquei sabendo que o cachorro, que tinha sido atropelado, estava melhorando e sendo alimentado. Procurei por ele muitas vezes, mas não consegui achá-lo, ele, como eu, tinha se levantado e impulsionado, talvez, por uma força divina, voltado a vida.

 

Autoria: Vivian Raquel Waserman Riss

 

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O Apelo de um Cão

Trate-me gentilmente, meu querido amigo, pois nenhum coração em todo o mundo é mais agradecido pela amabilidade do que o meu coração amoroso.

 

Não machuque minha alma com pancadas, apesar disso, lambo suas mãos entre os golpes. Sua paciência e compreensão irão mais rapidamente ensinar-me coisas que eu devo aprender.

 

Fale comigo constantemente, porque sua voz é para mim a mais doce música do mundo, como você deve saber pelo abanar da minha cauda quando os meus ouvidos escutam os seus tão esperados passos.

 

Por favor, coloque-me para dentro quando estiver chovendo e com frio, pois sou um animal doméstico e não estou acostumado as intempéries.

 

Eu não tenho honra maior do que o privilégio de sentar-me aos seus pés.

 

Mantenha meu potinho cheio de água fresca, pois não posso dizer para você quando estou com sede.

 

Alimente-me com comida limpa para que eu possa estar bem e saudável para brincar, acompanhá-lo nas suas caminhadas e estar alerta e capaz de defendê-lo com a minha própria vida, se a sua estiver em perigo.

 

E, meu amigo, quando eu estiver muito velho, e não gozar mais de boa saúde, nem boa audição e visão, não faça esforços heróicos para manter-me aqui.

 

Por favor, perceba que minha vida dedicada está indo suavemente. Eu devo partir desta terra sabendo que a última respiração que eu arranquei deste meu ser esteve sempre a salvo em suas mãos.

  

Autoria Desconhecida

Tradução: Lenita Ouro Preto  

 

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Não Era Um Anjo?

O pequeno filhote e o cão mais velho estavam deitados à sombra, sobre a grama verde, observando os reencontros. Às vezes um homem, às vezes uma mulher, às vezes uma família inteira se aproximava da Ponte do Arco-Íris, era recebida por seus animais de estimação com muita festa e eles cruzavam juntos a ponte.

 

O filhotinho cutucou o cão mais velho: "Olha lá! Tem alguma coisa maravilhosa acontecendo!" O cão mais velho se levantou e latiu: "Rápido! Vamos até a entrada da ponte!"

 

"Mas aquele não é o meu dono", choramingou o filhotinho; mas ele obedeceu. Milhares de animais de estimação correram em direção àquela pessoa vestida de branco que caminhava em direção à ponte. Conforme aquela pessoa iluminada passava por cada animal, o animal fazia uma reverência com a cabeça em sinal de amor e respeito. A pessoa finalmente aproximou-se da ponte, onde foi recebida por uma multidão de animais que lhe faziam muita festa. Juntos, eles atravessaram a ponte e desapareceram.

 

O filhotinho ainda estava atônito: "Aquilo era um anjo?", perguntou baixinho. "Não, filho", respondeu o cão mais velho. "Aquilo era mais do que um anjo. Era uma pessoa que trabalhava em um abrigo de animais."

 

Autoria Desconhecida

 

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Você Me Ensinou

Eu me lembro da primeira vez em que te vi, saindo do avião, coberta de baba, se escondendo atrás da tua caixa. Você estava com medo do mundo, o mundo era muito grande e frio. Eu te estendi minha mão e você a beijou. Eu te pedi para vir comigo e ver o mundo. E só porque eu te pedi, você veio. Eu me lembro daquele dia. VOCÊ ME ENSINOU A ACREDITAR.

Eu lembro de você como um filhote, rodeada de brinquedos, colocados lá somente para você. Eu ria enquanto você balançava tua cabeça e latia para mim, me convidando a brincar. Você pegaria minha meia ou meu sapato e fugiria, só para eu te perseguir até você me devolver. Eu me lembro daquele dia. VOCÊ ME ENSINOU A BRINCAR.

Eu lembro de você como uma cadela adulta, grande e forte. Eu via você saudar cada convidado com teu rabo abanando, e olhos atenciosos. Eu sorria e me sentia seguro. Eu sabia que você sempre ficaria ao meu lado. Eu me lembro daquele dia. VOCÊ ME ENSINOU A TER CORAGEM.

Eu lembro de você como uma nova mamãe rodeada por filhotes. Eu sentei ao teu lado e te mostrei cada um, e como você os inspecionaria aprovando-os. Você os limparia e tomaria conta deles. Mesmo quando você estava cansada e desgastada. Eu me lembro daquele dia. VOCÊ ME ENSINOU A SER FORTE.

Eu me lembro de você como uma mãe, rodeada por filhotes crescendo. Eu ria enquanto você faria caretas de dor, quando um de teus filhotes te mordia e tentava fazer-te brincar. Eu vi você segurá-los e limpá-los, enquanto eles tentavam se livrar. Eu me lembro daquele dia. VOCÊ ME ENSINOU A TER
PACIÊNCIA.

Eu lembro de você hoje, cansada e desgastada. Eu gostaria de te pegar, te abraçar e chorar. Você me olhava com aqueles olhos marrom claros. E quando a tua alma falou com a minha, você deixou este mundo grade e frio. Então, eu murmurei "Adeus". E mesmo neste momento que passou, quando meus olhos queimavam em lágrimas, você me ensinou uma última lição. Eu sempre lembrarei daquele dia. VOCÊ ME ENSINOU A AMAR.
 

Autoria Greg Hibler - Leviathans Lair Mastiffs
 

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A Disciplina Do Amor

Foi na França, durante a Segunda Grande Guerra. Um jovem tinha um cachorro que todos os dias, pontualmente, ia esperá-lo voltar do trabalho. Postava-se na esquina, um pouco antes das seis da tarde. Assim que via o dono, ia correndo ao seu encontro e, na maior alegria, acompanhava-o com seu passinho saltitante de volta a casa.

 

A vila inteira já conhecia o cachorro e as pessoas que passavam faziam-lhe festinhas e ele correspondia, chegava a correr todo animado atrás dos mais íntimos para logo voltar atento ao seu posto e ali ficar sentado até o momento em que seu dono apontava lá longe.

 

Mas eu avisei que o tempo era de guerra, o jovem foi convocado. Pensa que o cachorro deixou de esperá-lo? Continuou a ir diariamente até a esquina, fixo o olhar ansioso naquele único ponto, a orelha em pé, atenta ao menor ruído que pudesse indicar a presença do dono bem amado. Assim que anoitecia, ele voltava para casa e levava sua vida normal de cachorro até chegar o dia seguinte. Então, disciplinadamente, como se tivesse um relógio preso à pata, voltava ao seu posto de espera.

 

O jovem morreu num bombardeio, mas no pequeno coração do cachorro não morreu a esperança. Quiseram prendê-lo, distraí-lo. Tudo em vão. Quando ia chegando àquela hora ele disparava para o compromisso assumido, todos os dias. Todos os dias.

 

Com o passar dos anos (a memória dos homens!) as pessoas foram se esquecendo do jovem soldado que não voltou. Casou-se a noiva com um primo. Os familiares voltaram-se para outros familiares. Os amigos, para outros amigos. Só o cachorro já velhíssimo (era jovem quando o jovem partiu) continuou a esperá-lo na sua esquina, com o focinho sempre voltado para aquela direção. 

 

Autoria de Lygia Fagundes Teles

 

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