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História de uma Raposinha -
A
Verdadeira História por Trás de um Casaco de Peles
Olá,
meu nome é Vida, sou uma raposa vermelha e tenho 5 anos
de idade. Hoje vou contar a história da minha mamãe, que
hoje, infelizmente, não está mais aqui entre nós.
Minha
mamãe era uma linda raposa, jovem, alegre e cheia de
vitalidade. Ela tinha um pêlo extremamente brilhante e
sedoso. Ela era companheira, cuidadosa, uma mãe
exemplar. Compartilhávamos um amor incondicional. Ela
nunca me deixava sozinha. Estava sempre ao meu lado,
onde quer que eu fosse. Mamãe era perfeita. Nós éramos
muito felizes e unidas! Mas, drasticamente, nossas vidas
mudaram!
Era
uma manhã de inverno, eu ainda era um bebê. Eu e minha
mamãe brincávamos com a neve que caia. Sempre fazíamos
isso, nos divertíamos muito. Resolvemos correr entre as
árvores, eu estava na frente e mamãe vinha logo atrás.
De repente, escutei um estalo muito alto e um grito de
dor. Olhei para trás e vi minha mamãe caída, com sua
patinha presa entre enormes garras de ferro. Pela
primeira vez em minha vida eu vi sangue. Pela primeira
vez eu vi a expressão da dor estampada nos olhos
brilhantes de mamãe. Entrei em pânico, o desespero tomou
conta de mim. Eu precisava fazer algo, precisava salvar
mamãe. Ela gritava de dor, lágrimas escorriam pelos seus
olhos, o sofrimento era grande. Ela tentava se soltar,
mas não conseguia. Quanto mais ela se esforçava para se
libertar, maior ficava o ferimento de sua pata.
Mesmo
ferida mamãe se preocupava comigo. Mesmo ferida mamãe
dizia: Vida mamãe ama você, mamãe não irá lhe abandonar,
mas fuja, salve sua vida minha querida filha!
Corri,
por entre a mata coberta de neve, a procura de ajuda,
mas infelizmente não encontrei nada. Voltei para perto
de mamãe. Não iria jamais abandoná-la. Ela nunca me
deixou sozinha, ela me deu a vida e eu devia muito a
ela. Mas, quando cheguei bem próxima a ela, vi um homem
grande com uma bota preta pisando em seu pescoço. Mamãe
tentava respirar, tentava lutar para sobreviver, mas não
conseguia. Ela estava muito fraca, havia perdido muito
sangue. Foi então que o homem ergueu um pedaço de pau e
bateu com toda a sua força na cabeça da mamãe. Ela caiu,
e em seu último suspiro de vida, me pediu, mais uma vez,
que corresse. Seus lindos olhos se fecharam eternamente.
Escondida, vi o homem arrastando o corpo, ainda quente,
de mamãe. Segui o rastro vermelho de sangue que se
destacava entre a neve branca. Para onde esse homem
estaria levando a minha mamãe? Por que ele a tirou de
mim? Por que ele torturou e matou a minha mamãe? Por
que tanto sofrimento? Ela nunca fez mal a ninguém. Eu a
amava tanto. Ela tinha tanto a me ensinar. Nós ainda
tínhamos tanto a viver... Era difícil de mais, para mim,
acreditar no que estava vendo.
Por
horas a fio segui o rastro da crueldade. Já estava
cansada de caminhar quando vi o homem entrar em um lugar
escuro. Ele pegou minha mamãe e a jogou em cima de uma
mesa manchada de sangue. Com uma faca enorme ele começou
a rasgar o corpo dela. Arrancou toda a sua pele e jogou
o corpo de mamãe em um saco de lixo. Mamãe estava
irreconhecível, sem sua pele linda, sem vida. Esse
homem acabou com uma família. Esse homem destruiu 2
vidas. Mas por que? Por que tanto ódio? O que mamãe
havia feito de tão errado para ser assassinada desse
jeito! Por alguns segundos fiquei em silêncio, a dor de
perder minha mamãe era grande de mais.
De
repente, escutei muitos gritos. Fui ver o que era...
Não... Não podia ser verdade. De um lado de um galpão
havia dezenas de jaulas imundas, com um monte de
bichinhos peludos como eu. Eu vi bichinhos machucados,
mutilados e mortos. Muitos gritavam de fome, sede e
frio... Eles tentavam sair das jaulas, mas não
conseguiam. Era lugar horrível, triste, fedia a morte.
Era muito sofrimento. Do outro lado eu vi um monte de
cadáveres ensangüentados. Estavam iguais à mamãe. Ainda
estavam quentes, tinham acabado de ser mortos... Mas por
que? O que esse homem queria com as peles desses pobres
animais? O que ele queria com a pele da minha mamãe?
Sai
correndo dali, dei a volta no galpão e avistei o homem
arrumando um monte de peles. Não estava entendendo o que
ele estava fazendo até uma mulher entrar e colocar
aquelas peles sobre o seu corpo. Ela saiu feliz
carregando em suas costas uma raposa morta. Foi ai que
descobri o porquê minha mamãe morreu.
Destruída por dentro, fui embora, sem destino...
Caminhei sobre a neve gelada sozinha, sem minha mamãe.
Pensei em tudo o que vi e senti. Quis morrer ali...
Estava muito mal, confusa. Estava triste por não
conseguir salvar minha mamãe e os bichinhos que estavam
presos naquelas jaulas. Era difícil de mais aceitar o
fato de que a morte de bichinhos como eu significava a
felicidade de muitos homens e mulheres.
Durante anos tentei achar uma justificativa para a
covardia que o homem insiste em cometer contra as nossas
espécies. Não há argumentos... Infelizmente, entre os
seres humanos, existe algo que não há entre nós: a
ganância. Por ela, o Homem tortura e mata seres
inocentes.
Sabe,
hoje eu vi minha mamãe... Ela estava enrolada no pescoço
de uma mulher. Ela estava bem diferente do que era. O
seu pêlo, que antes era lindo, agora estava feio, não
tinha mais brilho, não estava mais sedoso. O seu pêlo
cheirava a morte e sofrimento. Eu sinto muita saudade
de minha mamãe. Nunca mais a terei de volta. Nunca mais
poderei brincar com ela em uma manhã de inverno, pois
minha querida mamãe foi cruelmente morta para virar um
casaco de peles!
Por
isso, eu nome de todos os animais que são perseguidos
por suas peles, eu imploro a vocês: NÃO USEM PRODUTOS
QUE SEJAM FEITOS DE PELES DE ANIMAIS. PELE É SINÔNIMO DE
TORTURA E MORTE!
Viva
sem crueldade!
Obrigada
Vida!
Autoria Gabriela Toledo-PEA
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